segunda-feira, 14 de março de 2011

Crime e Castigo no Acre


“Chico Mendes: Crime e Castigo”, de Zuenir Ventura, é um livro que propicia uma leitura muito interessante. Por meio desse livro Zuenir nos conta a história do assassinato de Chico Mendes, líder sindical e ambientalista, ocorrido no Acre em 22 de dezembro de 1988, mais especificamente na cidade de Xapuri.

Como na maioria dos casos de livros-reportagem, esse também foi primeiramente apenas uma seqüência de reportagens que, depois de juntas, vieram a compor um livro. Para explicar melhor ao leitor a história de Chico Mendes, o autor preferiu dividi-lo em três partes, são elas: o Crime (parte 1), o Castigo (parte 2) e Quinze anos depois (parte três). Em seu livro, Zuenir Ventura revela a luta travada pelos seringueiros no Acre.

Zuenir Ventura vai ao Acre em 1989 para conferir como exatamente aconteceu o crime, para então nos contar a primeira parte do livro: o Crime. O autor viaja para Xapuri dois meses após o assassinato de Chico Mendes. Equipado com o instinto que cada repórter possui, Zuenir Ventura “sujou seus sapatos”, como sugeriu Gay Talese no seu livro “Fama e Anonimato”, investigando cada detalhe e entrevistando todas as pessoas que poderiam ter uma relação com crime.

Chico Mendes sabia que seria morto cedo ou tarde, que era uma questão de tempo. Ele foi morto por uma causa, pela diferença entre “classes”: os seringueiros e sindicalistas contra os fazendeiros. Darly Alves da Silva, um fazendeiro, foi impedido de derrubar as árvores de um seringal que ficava nas suas terras por um empate realizado por Chico Mendes e seus companheiros. Foi aí que começou a implicância entre os dois.

Darci Alves Pereira, filho de Darly, assassinou Chico Mendes com um tiro ensurdecedor. Para Ilzamar, esposa de Chico, “foi um estouro, um tiro tão violento que estremeceu a casa”. O dano estava feito e não restava mais nada a fazer naquele momento. Mas com a morte de Chico surge um sentimento nos seringueiros: o de fazer justiça e lutar pelos seus direitos.

Na segunda parte, o Castigo, Zuenir Ventura voltou ao Acre em 1990 para acompanhar o julgamento dos suspeitos do assassinato de Chico Mendes.
Uma peça fundamental dessa parte do livro é o jovem Genésio Ferreira da Silva. Um garoto que vivia na fazenda de Darly e que sabia do que acontecia na Fazenda Paraná.

Zuenir Ventura acompanha os depoimentos dos acusados do crime, pai e filho. Darly foi acusado como sendo o mandante do assassinato e Darci como o que deu o tiro e tirou a vida de Chico Mendes.
Porém, há diferentes versões do crime. Quando Darci se entregou, logo após ter cometido o assassinato, contara uma versão às autoridades, mas no depoimento realizado para o julgamento contou uma história completamente diferente da primeira.

Tanto o pai quanto o filho foram condenados a 19 anos de prisão pelo crime contra a vida de Chico Mendes.
O seringueiro acabou se tornando um mártir. E seus “seguidores” continuaram lutando e, creio que com mais intensidade, após sua morte.

A terceira parte acontece um tempo depois. Quinze anos depois do crime, para ser mais exato.
Em 2003, Zuenir volta novamente ao Acre para verificar o que mudou por lá após o julgamento. “O Acre avançou. Os interesses conflitantes hoje são resolvidos com diálogo, não mais à bala”, declara Ilzamar. Pelo visto muita coisa mudou.

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