segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Só a fonoaudiologia salva

Alexandre sempre foi um garoto muito comunicativo, ou tagarela, como quiser. Gostava de conversar com todos e se interessava por gibis, revistas e até mesmo livros, apesar de não conseguir entender "patavinas" do que estava de fato escrito neles.

Porém, a "língua presa" acabava fazendo com que houvesse certo ruído na comunicação com as outras pessoas e também no início do aprendizado da língua portuguesa, mais especificamente a leitura. O "s" de sapo e o "c" de cebola, em sua fala, eram sempre sibilados, "asssobiados", "sssilvados". Por quê?

Para explicar, é preciso contar um pouco da vida do garoto, desde seu nascimento, um tanto quanto apressado. Sua estadia na barriga da mãe durou apenas sete meses. Nasceu e ficou internado no hospital por mais 21 dias, pois sofria de bronquiolite, inflamação dos bronquíolos. Quando cresceu, a tal inflamação se transformou em uma bronquite, acompanhada de uma má formação dos septos nasais. Qual o resultado? Narinas obstruídas, ocasionando respiração exclusivamente oral e a falha no posicionamento da língua dentro da boca. Trocando em miúdos: problemas de dicção e respiração.

Nem tudo estava perdido. Os pais de Alexandre logo notaram a forma pela qual se expressava seu filho e a dificuldade apresentada para respirar pelas vias nasais. Eis que entrou em cena a doutora Constantina, a otorrinolaringologista consultada. O problema do desvio de septo foi corrigido, mas a dicção com sua língua presa continuava firme e forte em sua vida.

A superação chegou com a constante frequência no consultório da doutora Luciane, fonoaudióloga. Exercícios de respiração, movimentos para o fortalecimento da língua e afins. Um sucesso! A cirurgia recomendada para "cortar o freio" da língua não foi necessária. A fonoaudiologia salvou Alexandre.

E a língua, que não era mais presa, graças à fonoaudiologia, não o deixou na mão. Alexandre foi o primeiro aluno de sua turma a aprender a ler, no "prezinho" (pré-II), aos seis anos de idade. E desde então o "ex-língua presa" não parou mais de ler, para si próprio e para os outros.

Hoje Alexandre é um jornalista e não tem problemas com a dicção. Sabe se expressar muito bem e aprendeu bastante com sua fonoaudióloga, a querida Luciane. Ah, uma coisa não mudou: ele continua muito comunicativo, ou tagarela.

2 comentários:

Dirlene Moreira disse...

Que sensação gostosa ler este relato. Sou fonoaudióloga e atendo a crianças com diferentes dificuldades de comunicação, espero um dia ser lembrada com tanto carinho pelos meus pacientes. Além de fonoaudióloga sou blogueira, autora do blog Fonoaudiologia em Foco, o endereço é fonoemfoco.blogspot.com, seria um grande prazer receber sua visita por lá. Abraços, Dirlene

PS. Não resisti coloquei o link deste texto no twiter e no face...

Alexandre Ciszewski disse...

Muito obrigado pelos elogios, Dirlene! Dei uma passadinha lá no seu blog.

Abraços