segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mais um dia na Avenida Paulista



Hoje estou atrasado. Preciso de um relógio. Vou passar na Avenida Paulista, com certeza vou achar aquele modelo que estava procurando e, melhor ainda, por um preço bem mais em conta do que pagaria em outro lugar. Sim, na Avenida Paulista. No calçadão da Paulista. Pronto, agora já estou com a hora certa.

Putz! Sujei os sapatos na rua. E agora?! Não precisei me preocupar, logo vi ali perto do ponto de ônibus: “Engraxo seu sapato e deixo como se fosse novo, tudo por apenas quatro reais, doutor”. Mas que beleza, com o sapato brilhando eu já vou andando.

Olho no relógio e já é meio-dia. Acabei de escutar meu estômago roncar. Viro para um lado, viro para o outro. Preciso comer alguma coisa. Logo ali na esquina, um carrinho de milho. Do outro lado da avenida está um oriental com seu carrinho de yakisoba. E não é que estava gostoso?! Agora preciso adoçar a boca. Atravesso de novo a avenida, ando mais uma quadra e o que vejo: ”Gostosa, Quentinha, Tapioca”, como diria Chico Buarque. Estava uma delícia, custou só R$1,50.

Com a barriga cheia, quero descansar um pouquinho. Quando sento e olho para a frente, vejo um ótimo presente para meu sobrinho: ele realmente gosta desse carrinho. Ainda estou sentado quando passa um rapaz: “Olha a bala, chiclete, chocolate”. Uma boa idéia, já que não posso escovar meus dentes masco um chicletinho.

E o dia vai passando. Quanta coisa já vi hoje na mais paulista das avenidas! Mas e minha namorada?! Preciso comprar algo para ela. Mais alguns quarteirões e avisto um senhor em pé ao lado de uma mesinha. Chego mais perto e consigo perceber que há vários brincos e anéis em cima da mesinha. Destes ela realmente vai gostar.

Agora que reparei que já é sexta-feira: o que vou fazer no final de semana? Mal termino de pensar e me deparo com um garoto que diz: “Algum programa para o sábado e o domingo? Que tal um DVD para assistir com a família? É mais barato que o cinema, só cinco reais”. Uma bela escolha. Comprei um DVD de um filme que entrou em cartaz nesta semana.

Sinto um cheiro adocicado. Encostado na parede está um hippie vendendo seus incensos. Será que vai atacar minha rinite? Espero que não. Logo em frente vejo um aglomerado de gente. Minha curiosidade era grande, me aproximo e reconheço um homem-estátua, ou uma estátua viva. Mas que engraçado, hoje ele era um mago! Vou para junto do trabalhador e deixo um trocado.

Mas que dia gostoso. Porém, olho para o céu e vejo um relâmpago, logo em seguida escuto o trovão. Era só o que faltava para estragar meu dia: tomar uma chuva. Por que fui pensar nisso?! A chuva começou a cair na terra da garoa. Apertei o passo para chegar mais rápido em casa. Não adiantou, pois a chuva só aumentou. Quando comecei a me molhar, vi um rapaz vendendo guarda-chuvas na saída da estação do metrô: “O pequeno é cinco, o grande é dez, compre antes que fique encharcado!”. Comprei o pequeno mesmo.

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