segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Der Prozess. KAFKA, Franz

Uma obra sufocante e deveras perturbadora com um protagonista ligeiramente tarado, se assim podemos dizer sobre "O Processo", de Franz Kafka. O episódio do sétimo capítulo do livro nos mostra Joseph K. obcecado por seu processo e ainda duvida (ou questiona) a eficiência do seu advogado.
Neste contexto podemos analisar o conceito defendido por Luiz Costa Lima: o problema da indeterminação da lei e da condição hipotética de justiça, a derrocada do Estado de direito. Podemos observar a insatisfação de K. em relação a isso e ao advogado. Ao mesmo tempo que o advogado que está cuidando do seu processo é muito experiente, com o acúmulo de processos em que atuara, mostra-se indeterminado, não explica as coisas para K., o deixa aflito e faz com que suas esperanças comecem a se esvair.

A lei é desorganizada em "O Processo", não tem substância, e K. nota esses aspectos do tribunal: "Certamente K. já concluiu, a partir das suas próprias experiências, que o nível inferior da organização do tribunal não é perfeito, tem funcionários relapsos e subornáveis, motivo pelo qual a severa vedação do tribunal de certo modo apresenta falhas (...) é por aqui que entra a maioria dos advogados, aqui se suborna e se espiona..."

K. fica impaciente e irritado com a maneira pela qual o advogado trata seu processo. As visitas na casa do advogado, para ele, não eram proveitosas e nem avançavam o status de seu processo perante o tribunal. O advogado o atende deitado na cama, em um quarto escuro e sufocante, tomando sopa, sempre doente. Para K., o discurso do advogado era desesperador, ele sabia que sua defesa não estava em boas mãos.

Por mais que K. tentasse resolver o processo a sua maneira, ele não conseguia obter êxito ou escapar da enrascada. Joseph K. fora abocanhado por seu processo, ele não é mais capaz de ignorá-lo, desprezá-lo, como no começo, mas sim sentir vergonha de tudo isso, vergonha e frustração.

K. não sabe conviver com os outros personagens do livro, é muito soberbo e orgulhoso. As frases curtas utilizadas pelo narrador em "O Processo", curtas e simples, são objetivas, o que nos remete à linguagem "cartorial", "protocolar". O narrador tem uma forma única de anunciar os acontecimentos, uma maneira banal. As frases curtas possuem informações e dados da percepção, mas vão se alongando em reflexões, trazendo dúvidas e desconfiança, tanto para quem lê, quanto para Joseph K.

Por meio da linguagem utilizada por Kafka, vemos as imagens por trás das letras, e, novamente, é perturbador, sufocante, desesperador, escuro, mas não chega a ser macabro, a dar medo. Este presente sufocante devora K., por mais que ele tente, não haverá futuro, a lei o engana, não esta a seu favor.

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