domingo, 11 de dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Proibir é o caminho?! O mais fácil, talvez...

Como vocês sabem, eu não sou de comentar política, projetos de leis e afins. Mas tem hora que simplesmente não é possível ficar sem exprimir uma opinião. Vamos ao que interessa.

Sim, sou eu na garupa da moto... Foto: Gustavo Epifanio

Na noite de ontem, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou um projeto de lei de autoria do excelentíssimo deputado Jooji Hato, que quer proibir garupa em motos, em dias de semana, em cidades com mais de 1 milhão de habitantes.

Segundo o político, a medida visa diminuir o número de acidentes e combater o crime (?!).

O que mais me revolta é o que disse o senhor Jooji Hato: ‎"Quero ver se os marginais vão assaltar a pé, de bicicleta ou de carro". Sobre o projeto de lei e o que disse o deputado em questão só tenho uma pergunta: todo motociclista é marginal, bandido e maloqueiro?!

É claro que existem muitos "motoqueiros" bandidos, assim como também tem "marginal" que anda de carro por aí, mas generalizar não é o caminho, e é isso que fode (com o perdão da palavra)!

E agora a culpa da criminalidade e do caos que é o trânsito de São Paulo é dos motociclistas? Todos eles?! Não se fala em melhorar o policiamento. A verdade é que São Paulo está sofrendo um inchaço, em vários aspectos, e não está preparada para isso. Precisa de faixa exclusiva para motos, ciclovia, conscientização do pedestre e dos motoristas em relação aos pedestres, etc, etc.... O que está faltando no trânsito da cidade de São Paulo, antes de mais nada, é respeito.

Como bem me lembrou Leonardo Bussadori, um amigo e motociclista, sobre a questão da segurança: "o que vai ajudar a diminuir as estatísticas de acidente é criar leis normalizando uso inteligente da moto: luvas, botas, jaquetas. Leis que limitem a capacidade de inexperientes pegarem motos maiores do que podem pilotar. Hoje, você pega uma CNH e pode pilotar desde um scooter até uma 1000cc. Além de maior fiscalização".

Proibir é o caminho?! O mais fácil, aparentemente...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

É sempre bom estar de volta...

Este post vem com um pouco de atraso, mas, como costumam dizer: "Antes tarde do que nunca..."
Parece que foi ontem que eu estava contando os dias para embarcar para Madri. O tempo voou como nunca. Aproveitei como nunca. Por isso não há tristeza, mas felicidade e agradecimento pela oportunidade da qual consegui tirar um bom proveito.

Pois é, eu voltei. Dia 4 de novembro desembarquei em Guarulhos e deixei, por enquanto, o velho continente para trás. Ainda bem que as lembranças permanecem. Por mais que a Europa seja fantástica, é sempre bom estar de volta...

Depois de 55 dias, 8 trens, 7 aviões e 17 cidades (+ o Vaticano), estou de volta a São Paulo. Nossa, que viagem sensacional. Posso afirmar, sem medo, que fazer essa viagem foi a melhor decisão que eu podia ter tomado neste ano.

Foram tantas aulas de espanhol, praças, museus, castelos, bares, festas, vinhos, cervejas, fontes, parques, albergues,
aprendizados, amizades, experiências, cultura, prazeres, risadas, memórias, sonhos realizados... Momentos.

Tenho tanta coisa para falar sobre cada lugar por onde passei que não sei nem por onde começar.

Sobre Madri, acho que já deixei bem claro o meu ponto de vista. Se você acha que não, mais um "argumento": me apaixonei por Madri. O curso de espanhol foi fantástico, aprendi muito e só fez aumentar minha paixão pela língua espanhola e por outros idiomas.

Bom, posso dizer que nunca andei tanto na minha vida. Enquanto estive na Europa, durante o mochilão, eu evitava ao máximo utilizar qualquer meio de transporte. Afinal, para mim, o melhor jeito de conhecer os lugares por onde você passa é sair caminhando, andando meio que sem rumo e sem pressa. Pode acreditar, com uma mapa na mão, sair vagando por lugares desconhecidos é muito interessante. Eu recomendo. Sem contar que deixa você com as pernas tonificadas, rs.

Acredito que continuarei contando meus "causos" em doses homeopáticas.

Por ora, é isso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Até breve, Madri

Antes de vir para cá, parecia que essa viagem não ia acontecer nunca. Quando cheguei aqui, demorei a perceber que de fato estava em Madri, na Europa. Mas como passou rápido! Parece que foi ontem que desembarquei no Aeroporto de Barajas e fiquei maravilhado com esta cidade. Essas quatro semanas em Madri foram inesquecíveis, fantásticas, apaixonantes... mas acabou.

De malas prontas...

Amanhã é meu último dia entre os espanhóis. Conheci pessoas muito legais por aqui, tive experiências sensacionais. E também, é claro, aprendi um pouco do idioma, depois de passar 4 horas por dia, durante todo esse tempo, tendo aulas de espanhol.

A verdade é que estou mais triste de estar deixando Madri para trás que feliz por estar começando o mochilão. Não me xingue tanto, mas é que eu realmente me envolvi com essa cidade, me senti como se estivesse em casa.

Por isso mesmo, eu sei que não é um "adeus", e sim apenas um "até logo", eu sei que voltarei...

Até breve, Madri, você foi sensacional para mim. Espero que a recíproca seja verdadeira.

Bom, Paris, aí vou eu...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pedido de um viajante

Pois é. Como costumam dizer, as coisas boas duram pouco. Minha última semana em Madri chegou, infelizmente. Dia 7 de outubro é meu último dia de aula na Enforex, escola onde estudo espanhol.

Por causa disso, gostaria de fazer um só pedido: da próxima vez que fizerem o mundo, queria que um dia tivesse mais de 24 horas, pode ser?! rs...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Real Madrid 3x0 Ajax... Foi fantástico!


Vocês podem até me julgar, dizer que estou exagerando, mas ver um jogo do Real Madrid no Santiago Bernabéu, um jogo da Champions League, era um sonho para mim. Você pode até rir, mas eu nem me importo, afinal, realizei um sonho e isso ninguém tira de mim. A melhor coisa dos sonhos é poder realizá-los, não acham?! Enfim...

Apreciando a vista antes de começar...

Eu estava lá, entrei no estádio e o vi se enchendo aos poucos, até que 75.500 pessoas lotaram o Bernabéu para ver um espetáculo, não apenas um jogo de futebol. A parte boa é que, apesar de estar muito feliz, ansioso, "nervoso" e não acreditando que estava lá, consegui me controlar e não ter um AVC ou uma parada cardíaca durante o jogo entre Real Madrid e Ajax, hehehe.

Nem preciso dizer que foi sensacional, uma experiência fantástica e única. Foi também a primeira vez que fui ao estádio nesse ano de 2011, com grande estilo =D... Continuo sendo "pé-quente", já que nunca vi meu time perder no estádio, com o Real Madrid não foi diferente.

Mas, antes do jogo começar, a famosa "Opera" da Champions League. É de arrepiar. De verdade. Se você não conhece, veja o vídeo abaixo com a versão completa do Hino da UEFA Champions League:


O jogo começou um pouco nervoso, com o Ajax chegando com perigo e assustando a multidão que lá estava para apoiar o Real Madrid. Mas essa pressão durou pouco tempo. A partir dos 15 minutos os "Blancos" dominaram o campo de jogo. Não demorou para sair o primeiro gol, de Cristiano Ronaldo, aos 20 minutos do primeiro tempo, em uma belíssima jogada que vale a pena ser vista várias vezes.

E parece que o Kaká finalmente desencantou no Real Madrid, jogou uma barbaridade contra o Ajax e fez o segundo gol, mais que merecido, aos 41 minutos da primeira etapa, depois de passe de Cristiano Ronaldo. E o terceiro gol também saiu depois de assistência de Kaká a Benzema, que só teve o trabalho de mandar para as redes aos 4 minutos do segundo tempo. A galera aplaudindo quase o tempo todo, cantando, gritando, xingando o juiz, foi sensacional. Estádio de futebol é sempre assim, uma energia contagiante. Só dá vontade de ir cada vez mais...
E Iker Casillas, meu jogador preferido do Real Madrid, foi acionado logo aos 50 segundos da primeira etapa e fez uma defesa incrível. Ao longo do jogo não foi muito solicitado, mas no segundo tempo fez jus ao apelido de "San Iker" (Santo Iker) e salvou o que seria o primeiro gol dos holandeses com uma defesaça fenomenal à queima-roupa (o pleonasmo aqui pode ser usado e é mais que necessário, vocês vão ver a razão no vídeo abaixo). Me pareceu que os torcedores vibraram mais com essa defesa de Casillas do que com os gols. Bom, eu comemorei como se tivesse sido o quarto gol...


Poderia escrever muito aqui sobre a atmosfera da partida, das emoções que senti lá dentro durante todo o jogo, descrever jogadas e mais jogadas, mas acho que não conseguiria me expressar bem. É fantástico. Com o perdão da palavra, FOI SIMPLESMENTE DO C*RALHO!

Los sueños se hacen realidad ...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

La ciudad de Madrid

por Alexandre Ciszewski, direto de Madri

Empieza la risa
por la tarde.
El sol nos invita
a reír con él.
Empieza la pasión
por la ciudad de Madrid!
Cuando caminas por las calles,
te enamoras a cada paso.
Los palácios y las iglesias,
los parques y las plazas.
Y de las chicas no hay
que decir, pues,
son tan guapas como
la ciudad de Madrid.
Llegué y no quiero marcharme,
pero con la risa en el rostro
y las mejores memorias en la mente,
nunca voy a olvidarme
de la ciudad de Madrid.

domingo, 25 de setembro de 2011

Devaneios de um viajante: liberdade!

Viajar é sempre bom. Viajar sozinho é ainda melhor. Só você, a mochila nas costas, um mapa na mão esquerda e uma câmera fotográfica para registrar algumas paisagens magníficas. É claro que os momentos ficaram eternizados dentro da gente, na mente e no coração.

O que combina com viajar sozinho?! Andar, mas andar muito. Coloque na cabeça que a melhor forma de conhecer os lugares é andando! Evite os transportes, ande bastante, não se importe se está sol, se vai fazer bolha nos pés, se é longe, se... Você faz o seu caminho, você escolhe onde quer ir e o que vai fazer, na hora que você quiser! Pode definir isso como quiser, mas eu prefiro chamar de liberdade...

Essa viagem está sendo muito incrível para mim, como vocês devem ter percebido. Estou curtindo para valer e aproveitando o máximo que posso. Além disso, a vivência, a experiência e a nova cultura adquiridas estão mexendo um pouco comigo, estou ficando mais filosófico, rs.

Quando estava no Jardim Botânico de Madri, na sexta-feira, pensei bastante. Imagine um lugar onde você encontra uma tranquilidade, uma paz, fica zen. Pensou?! Pois é, o Real Jardin Botánico é muito bom para relaxar e ficar filosofando com seus botões.

Real Jardin Botánico de Madrid

O "espírito", ou sentimento, desbravador que andava m
eio apagado dentro do ser que vos escreve foi sacudido e acordado aqui em Madri, ainda bem. O que me levou a pensar que não aproveitamos muito o lugar onde estamos e acabamos reclamando em demasia. São Paulo, onde moro, por exemplo. Existem tantos lugares bacanas, museus, jardins, parques e coisas interessantes para se visitar e fazer em São Paulo, mas nós acabamos as ignorando, seja por causa da rotina estressante e louca que a capital paulista nos faz ter, ou seja por desinteresse e "cansaço" mesmo. Algo para se pensar e repensar.

Mas voltemos para a Espanha, vamos falar de Madri. Estou encantado com esta cidade, e também com as cidadezinhas que conheci neste fim de semana: Toledo e Segóvia. Sério, cada vez mais gosto deste lugar e acredito que não vai ter outra cidade pela qual vou me apaixonar como aconteceu com Madri.
Alcázar de Toledo
Toledo é bem interessante, eu curti muito. Se você gosta da época medieval, é o destino certo. Fortes, castelos, igrejas, catedrais. Visitei o Alcázar de Toledo, um palácio fortificado onde fica o Museo del Ejército, e me encantei ainda mais. Acho que passei mais de duas horas vendo armas, armaduras e aprendendo um pouco mais sobre a história da Espanha. Vi tantas armas medievais, roupas e armaduras que fiquei com uma baita vontade de jogar Age of Empires. Depois vi a seção de armas atuais e me deu vontade de jogar Call of Duty, hehehe.

Acima, Puente San Martin, que faz parte da rota de Dom Quixote

Você já leu Dom Quixote (El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha)? Bom, eu já, e a cidade de Toledo faz parte da "Rota de Quixote", o que a tornou ainda mais atrativa. Tirei até uma foto com Cervantes lá (uma estátua dele, claro!). A Puente San Martin, sobre o Rio Tejo (ou Tajo) é fantástica. Um lugar lindo! Recomendo gastar um tempo lá... Segóvia é bem bacana também, mas não tem todo o charme da cidade de Toledo, mas, é óbvio, vale a visita.
Aqueduto Romano em Segóvia

Ah, finalmente conheci Esperanza, a dona da casa onde estou morando. Ela estava passando férias nos EUA e só chegou hoje. Nessas duas semanas uma amiga dela, a Celes, era quem estava cuidando da casa e do estrangeirinho aqui...

Tenho tanta coisa para escrever aqui que com certeza acabei esquecendo de muitas delas. Assim que for lembrando, vou colocando as bobagens no blog.

¡Hala Madrid!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Fato curioso


Todos os dias quando vou para a escola de espanhol, pego o metrô pela manhã. Até aí, tudo normal. Acontece que quase todos os dias me deparo com uma figura singular: um homem de uns 35 anos, ou mais, "careca-cabeludo" (sabe? bastante cabelo grisalho dos lados e atrás, e calvo na frente...) e com uma costeletas daquelas estilo Dom Pedro ou "Elvis não morreu" (sem bigode).

O engraçado é que posso me atrasar um pouco, chegar mais cedo, ele sempre está no mesmo vagão do metrô no qual eu entro! Outro dia me surpreendi e o encontrei entrando na estação junto comigo... hahaha

Não é nada de mais, apenas um fato curioso...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Saudades do Brasil?!

Não que eu tenha coração duro, seja desprovido de sentimentos ou coisa do tipo, mas eu quase não sinto saudades do Brasil quando viajo para longe. Foi assim também nos Estados Unidos, quando morei lá por três meses...

Claro, sinto falta dos amigos, do irmão, dos pais, isso é inevitável, mas controlável.

Esses dias, porém, fiquei com saudade de uma coisa específica que não encontro aqui: pão de queijo! Vai entender...

E aí, quem vai me mandar uma caixinha com alguns pães de queijo por SEDEX? hehehe...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A cidade de Madri é fantástica!

Uma semana já se passou e Madri continua fantástica. Segunda-feira passada fiz os testes na Enforex e fui parar, pasmem, no nível avançado do curso de espanhol (que bueno =P)! Na minha turma tem gente de vários lugares do mundo, inclusive duas brasileiras. No total, somos em 11: dois alemães, uma austríaca, uma russa, uma finlandesa, três coreanas e três brasileiros.


A aula começa às 9h30 da manhã e segue até as 11h30, tem um intervalinho de 10 minutos e daí vem o segundo round, das 11h40 até 13h30; então é "tranquilito" e não é preciso levantar ceeeedo... O engraçado é que para cada horário tem um professor diferente. Bom, eu achei isso diferente.

Bom, estava andando pelas ruas de Madri e percebi um barulho de passarinhos, mas muito metálico, e não sabia o que era. Quando fui atravessar a rua que percebi: os semáforos de Madri piam! haha... Eles "piam" para avisar quando se pode atravessar na faixa com segurança e tal, para auxiliar os cegos...

Ah, o trânsito de Madri! Quisera eu que em São Paulo fosse um pouco parecido... Aqui parece que não existem buzinas nos carros! O povo não buzina e se respeita no trânsito, param para você atravessar na faixa, não há congestionamentos (sim, eu sei que São Paulo é beeem maior que Madri...). Muitas scooters e motos, circulam de maneira organizada pelas ruas madrileñas junto com os carros!


Esta semana que passou fez MUITO calor em Madri, mas muito CALOR MESMO! Tipo, mais de 30 graus o tempo todo! Chegava em casa de noite, tomava banho e já estava suando de novo. Meia-noite, 30 graus. É mole?! Isso porque já está no fim do verão... (Na foto, eram 19h45 e 38ºC!)

Já conheci lugares muito bonitos, como o Palácio Real de Madrid, que conta com um acervo fantástico de armaduras, espadas, armas, lanças e afins... A Catedral de Nuestra Señora de Almudena também é muito bonita!

Andei, andei, andei, e continuo andando pelas ruas de Madri. Afinal, tem maneira melhor de conhecer os lugares do que caminhando?! Conheci a Plaza de España (foto abaixo), a Parroquia de San Jeronimo el Real, que fica do ladinho do Museu do Prado.

Fui também no Museo del Prado. Nossa, como é grande! E quantos quadros belos. Quem diria que um dia eu ia ver, ao vivo e a cores, Las Meninas, de Diego Velázquez?! Uma pena que não se pode fotografar lá no museu, mas guardei pra sempre aquelas imagens comigo =D

Sabem o que é mais legal?! Parece que estou em Madri há muito tempo! Me sinto muito à vontade aqui, como se estivesse em casa. Quando ando pela rua, posso até me perder, mas nada me importa, parece que estou no meu lugar...

domingo, 11 de setembro de 2011

Viajar, viajar, viajar... Madri!

Por Alexandre Ciszewski, direto de Madri

Enfim cheguei em Madri. Parecia que esse dia não ia chegar, mas ele chegou e ainda não caiu a ficha. Momentos muito engraçados e marcantes já estão fazendo essa viagem valer a pena.

Primeiro, quando cheguei no Aeroporto Internacional de Guarulhos, escuto uma algazarra e vejo uma muvuca em volta de duas pessoas. Não havia reconhecido os cidadãos até que reparei nas roupas e cartazes da multidão que estava em volta deles: Joelma e Chimbinha! hahahaha Foi ao mesmo tempo um momento engraçado e que me deu muita vergonha alheia...

Bom, a viagem começou pra valer. Parti de Guarulhos para o Rio de Janeiro, mas antes de entrar no avião fique pensando: "Putz, quem será que vai sentar do meu lado? Será que vai ser uma pessoa bacana, chata, ranzinza... etc?", afinal, quem nunca ficou especulando isso? Para a minha sorte, conheci Alessandra, de Campinas, que sentou ao meu lado. Ela, mãe da Clarinha, de 7 anos, estava indo para Dublin com conexões no Rio de Janeiro e em Madri! Chegando em Dublin, Alessandra vai dar uma palestra sobre microbiologia de alimentos (alguma coisa assim) em um congresso. Conversamos durante o voo inteiro e nem percebemos o tempo passar, acho que nunca se chegou tão rápido ao Rio de Janeiro. Já tinha arranjado uma companheira de viagem! =D

Chegando no Rio, fomos fazer o check in na Iberia e aguardar para embarcar. Conversa vai, conversa vem, e chego ao seguinte assunto: "A minha 'zica' de sempre sentar perto de bebês em viagens". Não conseguimos marcar assentos juntos no check in, então ela acabou ficando com o assento na fileira da frente da minha. Entramos no avião e adivinhem o que aconteceu?! Ela sentou do lado de um pai que estava com o seu "bebê chorão" (na minha frente)... hahaha, ah, Murphy. O cidadão que estava ao lado do meu era muito gente fina e cedeu o lugar para a Alessandra, que conseguiu se afastar um pouco do choro do neném. Muitas risadas, reparando nos "tiozões babões" presentes no voo, comentários aleatórios, uma amizade bacana que surgiu dentro de um avião (e espero que o contato não se perca).

Mas a viagem que já estava boa ficou ainda melhor. Do meu lado esquerdo estavam sentadas duas senhoras com os seus 60 anos de idade, as irmãs Monica e Dolores, de Curitiba (PR). Assim como a Alessandra, elas marcaram minha viagem. As duas estavam indo para Lisboa, passear, sozinhas. Muita conversa, dicas de viagem, perguntas sobre fuso horário, sobre o filme que ia passar no avião e muito mais... mesmo tendo bastante turbulência! Em determinado momento do voo aquele Airbus balançou pra CARAMBA!

UM ADENDO: Quem é que serve abobrinha no jantar do voo???! Hahahaha, mas estava bem gostosa a abobrinha refogada com carne assada e purê de batata, regada a vinho tinto... =P

Ah, o bebê até que não chorou muito, fiquei fazendo caretas e interagindo com o garotinho e foi tudo bem...

Porém, ao chegar em Madri, um pequeno susto! Onde foi parar minha bagagem? Não estava na esteira indicada. Quase todos os passageiros do meu voo já tinham pegado suas malas e partido felizes e contentes para Madri, enquanto eu mais uns quatro passageiros ficamos no pseudo-desespero da "mala extraviada" (e a Alessandra ao meu lado, hehe). Porém, mandaram algumas malas do meu voo para outra esteira e só se esqueceram de avisar os donos das mesmas.


Desembarcamos e fomos dar uma volta pelo aeroporto de Madri. Como é grande o Barajas! Existe um ônibus gratuito que te leva a todos os terminais (são quatro terminais espalhados)! Então ajudei a Alessandra a achar o lugar onde deverá fazer o check in e embarcar para Dublin e parti para o metrô.


Mais um "susto". fui comprar o bilhete de metrô e a máquina simplesmente engoliu meu dinheiro e não me deu os passes! Fui reclamar com os funcionários do metrô e consegui meu dinheiro de volta! Fiz o mesmo procedimento em outra máquina e deu tudo certo.

Andar de metrô em Madri não foi nenhum segredo. Com um mapinha na mão e sabendo onde se queria chegar, foi bem tranquilo.

Nem começou direito, minha ficha ainda nem caiu, mas já tenho ótimas lembranças dessa viagem. Que continue assim!

Ah, como é bom viajar...

terça-feira, 31 de maio de 2011

"Ao vencedor, as batatas": Quincas Borba e a filosofia do Humanitismo


Joaquim Borba dos Santos, o Quincas Borba, se dizia um "Humanitas", adepto da Filosofia do Humanitismo, pregada por ele próprio. Rubião não entende bem dessa filosofia, então Quincas decide utilizar-se de uma história para fazê-lo compreender, e também esclarecer os fatos aos leitores. No início do sexto capítulo, Quincas descreve o falecimento de sua avó a Rubião, que toma este acontecimento como uma desgraça. Porém, Quincas Borba afirma que não era uma desgraça e começa a explicar-lhe o princípio da filosofia: "Humanitismo é o remate das cousas (...) Humanitas é o princípio (princípio indestrutível)". Segundo Quincas, não há morte, há a "expansão de duas formas", logo, "há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum". Eis que surge a famosa história das batatas.

"Ao vencedor, as batatas". Pode-se falar do Humanitismo como sendo uma alegoria do darwinismo, o mais adaptado sobrevive, mas aí a ciência vira piada, afinal, no Brasil tudo é motivo de chacota, sátira, escárnio, tudo vira motivo de troça. Podemos ainda afirmar que o Humanitismo de Quincas Borba é uma sátira ao positivismo. Sigamos com o episódio. Rubião custa a entender questiona: "mas e a opinião do exterminado?", já que, quem vence/extermina o outro leva as "batatas", Quincas o surpreende dizendo que não há exterminado. "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas". Para explicar melhor (ou não) a questão do exterminado, Quincas continua: "Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias". Rubião, sem aceitar, questiona novamente, "bem, a opinião da bolha...", mas é cortado por Quincas Borba: "Bolha não tem opinião".

Segundo a filosofia, a forma vira conteúdo, e o conteúdo vira forma. Isto é Humanitas. Vale lembrar que Quincas Borba é um realista que gosta de invocar métodos do romantismo. Entretanto, podemos ver o Humanitismo como um egoísmo disfarçado, um egoísmo com ações altruístas. Conforme cita Antonio Cândido em "Esquema de Machado de Assis", a transformação do homem em objeto do homem, do sadismo, do simples egoísmo, está ligada ao Humanitismo, à filosofia de Quincas Borba. Com o falecimento de Quincas Borba, mais à frente, no capítulo onze, é que Rubião parece compreender essa filosofia das batatas que tanto falamos. Rubião, que "começa como simples homem", se torna manipulado. Mas estes são outros quinhentos

"No fim, pobre e louco, ele morre abandonado (Rubião); mas em compensação, como queria a filosofia do Humanitismo...". (CÂNDIDO, Antônio; Vários Escritos, Esquema de Machado de Assis).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Amigos...

Amigos compartilham segredos. Amigos conversam. Amigos estão aí para nos apoiar nas horas difíceis. Amigos querem o nosso bem. Amigos...

Amigos serão sempre amigos.

Obrigado, amigos!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Continuando com a nostalgia... Xan in Dells!

Ainda na onda da saudade, abordada no post anterior!

Aí vai um "audio slideshow" sobre programa de intercâmbio "Work and Travel" realizado entre os meses de dezembro de 2008 e março de 2009, na cidade de Wisconsin Dells (WI) - EUA. Trabalhei em dois Resorts diferentes, com empregos diferentes: Wilderness Hotel & Golf Resort como Slide Attendant (departamento de Lifeguards); Chula Vista Resort, como Housekeeper!

Bons tempos, bons tempos...

Xan in Dells - 3 meses nos EUA por xanzewski no Videolog.tv.

Uma voltinha pelo Empire State Building... muito louco! A única coisa que estraga é o vento, que deixa o vídeo com muito ruído =/... De qualquer forma, ficou bacana! (Desculpem-me pelos palavrões! hehe)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quem é o estrangeiro?

Albert Camus tenta nos contar a história de um homem que aceita morrer pela verdade no livro “O Estrangeiro”
O romance se passa em Argel, capital da Argélia (na época em que ainda era colônia francesa) e tem como personagem principal de sua trama um homem chamado Meursault. Esse homem vive o absurdo, vive sem ilusões, mas quer viver. Para ele o que importa é “o aqui” e “o agora”, ele vive o presente pelo presente. Meursault é um pied-noir (termo francês que designa aquele que é francês e vive numa colônia, no caso a Argélia, e que traduzido ao pé da letra significa “pé sujo” ou “pé negro”).

A narrativa começa com Meursault contando ter recebido um telegrama a respeito do falecimento de sua mãe. Meursault havia colocado a Sra.Meursault três anos atrás num asilo na cidade de Marengo, próxima a capital Argel, e precisou ir a essa cidade para comparecer ao enterro. Para alguns, Meursault reage com muita frieza perante a situação, mas para ele “tanto faz”, ter dormido durante o funeral de sua mãe “não quer dizer nada”.

Meursault vive o absurdo, o real é inatingível para ele. Para Albert Camus, um homem que não chora no funeral de sua mãe corre o risco de ser sentenciado à morte. O estrangeiro é o homem em face do mundo. Meursault pode ser classificado como estranho, ou como estrangeiro, pelo fato de ser honesto. Ele é um homem que não mente, é um homem que não joga o jogo social.

Pode ser observada ao longo da narrativa a presença do sol, do calor, da claridade. Há horas em que o sol é um “amigo”, mas há horas em que o sol lhe dá uma “bofetada”. Ao viajar para Marengo, Meursault conta que fazia muito calor e a luminosidade da estrada e do céu contribuiu para que ele adormecesse. O que pode nos intrigar é que, um dia após o falecimento de sua mãe, Meursault inicia um relacionamento com Marie. Porém, para ele o sentimento amoroso não fazia sentido, pois só o presente é que vale. Uma vez Marie perguta se ele a ama, ele respondeu que isso nada queria dizer, mas que não a amava.

É possível notar no livro um preconceito contra os árabes. Podemos representar esse preconceito como sendo a voz do colonizador e do árabe. Meursault acaba se tornando “amigo” de Raymond, seu vizinho que possuía uma amante árabe. Aí começa o envolvimento de Meursault com os árabes. Raymond demonstra grande admiração por Meursault e logo o convida para passar um domingo na casa de praia de seu amigo Masson. No caminho, um grupo de homens árabes fica observando Raymond, Meursault e Marie.

É na praia que acontece o homicídio. Masson, Raymond e Meursault deixam as mulheres na casa, Marie e a esposa de Masson, e vão caminhar na praia. No meio do percurso o mesmo grupo de árabes aparece na frente deles. A briga acontece e Raymond se fere. Depois de voltar para a casa de Masson, Raymond resolve andar novamente e Meursault o segue. Agora Raymond carregava um revólver, então que eles encontram os dois árabes da briga anterior. Raymond queria disparar o revólver e acabar logo com aquilo, mas ele acaba entregando a arma para Meursault. Os árabes fogem ao ver a arma.

Raymond e Meursault voltam para a casa da praia. Aí aparece novamente o calor e o sol, que fazem Meursault voltar à praia e, por acaso, encontra o mesmo árabe sozinho. Então que acontece o homicídio. Induzido pelo calor, pelo brilho do sol e pelo reflexo de luz vindo da faca do árabe que Meursault dispara cinco vezes, matando o árabe. O fato de Meursault não se arrepender do que fez, de não sentir remorso por ter assassinado o árabe, pesa mais do que o próprio assassinato. Podemos considerar então que Meursault é condenado à morte mais por causa de sua frieza em relação ao falecimento de sua mãe e por causa do não-arrependimento do que pelo homicídio. O argumento do promotor é que, se Meursault não consegue sentir remorso pelo ato cometido, ele representará perigo à sociedade e deverá ser executado para evitar novos crimes.

Na prisão, Meursault deixa de ser o “homem absurdo” onde a essência da vida é simplesmente viver. Para Meursault, ser julgado e sentenciado à morte é indiferente, não faz sentido, pois, para ele não existe algo que possa explicar todos nossos atos. Ao permanecer na prisão, Meursault se “revolta” com a indiferença do universo em relação à humanidade. No final do romance Meursault se irrita com o capelão da prisão, que insistia em fazê-lo acreditar em Deus. O capelão quis se certificar, perguntando se Mersault acreditava em Deus, ele apenas respondeu que isso parecia não ter importância.

Termino com o trecho final do livro, muito representativo, onde Meursault prepara-se para a execução, e diz que foi feliz:

“Como se essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante dessa noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez è terna indiferença do mundo. Ao percebê-la tão parecida a mim mesmo, tão fraternal, enfim, eu senti que havia sido feliz e que eu era feliz mais uma vez. Para que tudo fosse consumado, para que eu me sentisse menos só, restava-me apenas desejar que houvesse muitos expectadores no dia de minha execução e que eles me recebessem com gritos de ódio”.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Porra, sensacionalismo!

Sério, só tragédia nos jornais. É a guerra na Líbia, catástrofe no Japão e a mais recente chacina no Rio de Janeiro. É claro que há notícias boas e ruins a serem dadas nos telejornais. Só acredito que a abordagem precisa ser muito bem pensada, no caso de notícias fortes, tragédias, é preciso ter mais tato ainda.

Estou querendo dizer que o sensacionalismo, exagerado ou não, é complicado. Eu penso dessa forma, e acredito que muitos de vocês também concordam comigo.

Claro que fiquei chocado com tudo que aconteceu no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Sei que a notícia precisa ser dada, mas ficar mostrando as famílias sofrendo, botando microfone na cara de pai/mãe que acabou de perder filho, mostrar crianças ensanguentadas, o assassino morto no chão, envolto de sangue, acho que isso passa muito do limite! Tá faltando o tato, que eu citei ali em cima... Porém, não foram todos os veículos que abordaram de forma tão sensacionalista.

Como me disse uma amiga, "você só tá indignado porque viu a brutalidade que foi. E você só viu a brutalidade que foi porque viu uma escola suja de sangue, entendeu?". Pode ser.

Poderia continuar falando aqui, mas acho que acabaria chovendo no molhado, repetindo o pensamento já exposto. Essa discussão é antiga, mas foi lançada novamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nada de mentiras, descubra o amor...

DESCUBRA O AMOR

Pegue um sorriso
e doe-o a quem jamais o teve...
Pegue um raio de sol
e faça-o voar lá onde reina a noite...
Pegue uma lágrima
e ponha no rosto de quem jamais chorou...
Pegue a coragem
e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar...
Descubra a vida
e narre-a a quem não sabe entendê-la...
Pegue a esperança
e viva na sua luz...
Pegue a bondade
e doe-a a quem não sabe doar...
Descubra o amor
e faça-o conhecer o mundo...
Mahatma Gandhi

quinta-feira, 24 de março de 2011

A democracia dos brasileiros

Não costumo falar sobre política, mas aí vão alguns pitacos que rascunhei. Posso estar falando alguma besteira (ou não), por isso, não se ofenda.

A democracia, para que fique bem entendido, é uma forma de governo na qual os poderes e responsabilidades são exercidos por todos os cidadãos, isso diretamente ou por meio de seus representantes, escolhidos e eleitos pelos votos da maioria. Existem diversas formas de democracia, a que vigora no Brasil, ou deveria vigorar de fato, é a democracia representativa.

Então os representantes são escolhidos pelo povo nos pleitos. Na teoria, esses tais representantes, deveriam acatar as vontades dos cidadãos, tomar as decisões com base nos princípios e idéias estabelecidos previamente por eles. Mas não é o que acontece na prática, tomando o Brasil como exemplo. Os representantes, depois de escolhidos, muitas vezes deixam de cumprir o que foi prometido ao cidadão, que vê, assim, seu voto de confiança jogado fora.

Analisando a palavra democracia, de origem grega, temos a junção de dois termos: dêmos, que significa “povo”, e kratía, que significa “força, poder”. Logo, o que deveríamos ver seria essa força do povo, esse governo exercido pela força do povo. Quando o indivíduo vota, escolhe seu candidato para representá-lo nas decisões governamentais, ele realiza seu dever de cidadania, e espera um retorno por parte do seu representante, um retorno positivo.

Assim, no Brasil, o povo acaba por ter sua cidadania anulada pelos maus representantes que não executam a democracia de forma correta e sensata. O grande problema na democracia dos brasileiros é que os escolhidos não desempenham seu papel no governo a favor dos cidadãos, de acordo com a vontade deles, como deveria ocorrer de fato. Mas também há aqueles que encaram como uma brincadeira, que votam sem consciência, e acabam elegendo verdadeiros palhaços para os cargos políticos.

Os cidadãos, quando fazem parte de uma democracia, têm o direito e o dever de participar do sistema político, ter sua voz ouvida e vontades atendidas. "A democracia se estabelece quando os pobres, tendo vencido seus inimigos, massacram alguns, banem os outros e partilham igualmente com os restantes o governo e as magistraturas", afirma Platão, em República. Mas, infelizmente, não é como as coisas acontecem no nosso país.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Na pele de um turco

No livro “Cabeça de turco: Uma viagem aos porões da sociedade alemã”, o jornalista alemão Günter Wallraff consegue transmitir as diversas sensações inimagináveis pelas quais os imigrantes passavam na Alemanha da década de 1980. Günter Wallraff se coloca na pele de um imigrante turco. Para isso ele precisou do auxílio de peruca de cabelos negros, bigode, lentes de contato escuras e até mesmo “desaprender” a falar corretamente o idioma alemão para se transformarem Ali Sinirlioglu, um dentre os milhares de imigrantes turcos da Alemanha.

O livro foi publicado em 1985, após dois anos de intensa apuração e investigação, assim como experiências jamais vivenciadas antes pelo alemão. Günter virou Ali em 1983, e a partir de então se submeteu aos tipos de trabalhos sujos e pesados aos quais os outros milhares de imigrantes têm de passar para poder sobreviver na Alemanha. Na pele do turco Ali Sinirlioglu, Günter consegue fazer os leitores perceberem quão desumanas as pessoas podem ser em relação aos supostamente inferiores, tudo isso tomando como base o preconceito, no caso do estrangeiro Ali, a xenofobia.

Para expor os problemas sofridos pelos imigrantes, em especial os turcos, “Cabeça de Turco” é dividido por capítulos que contam episódios chocantes e ao mesmo tempo interessantes. Devido à exposição do que ocorre em cada serviço que eles precisam realizar em meio à humilhação, o livro obtém o caráter de uma denúncia social. Ou seja, ele mostra aos cidadãos alemães como as coisas realmente ocorrem e quem acaba fazendo o trabalho sujo, recebendo muito pouco e correndo risco de vida em algumas ocasiões.

Günter Wallraff conseguiu passar a essência do livro. “Cabeça de turco” propicia uma leitura muito interessante e rápida. É um livro muito bom e muito bem escrito. Isso porque o jornalista alemão viveu de fato na pele do personagem Ali Sinirlioglu, e não só escreveu o livro com base em entrevistas e depoimentos. Como Ali, Günter precisou trabalhar e ser tratado com desprezo pelos chefes e outros operários alemães para perceber a realidade: preconceito, desrespeito e humilhação.

Uma passagem interessante do livro é quando Ali participa de uma conversa entre três trabalhadores alemães: Michael, Udo e Alfred. Os alemães, com a exceção de Michael, deixam aparente o total desprezo pelos imigrantes e ressaltam que “As coisas deviam ser como no tempo de Hitler. Aí, sim, a Europa estaria em ordem”. E Ali, como bom jornalista que é Günter Wallraff, instiga os alemães a continuar a discussão, indagando cada vez mais sobre o que Hitler havia feito com os judeus, a causa de ele ter tomado tais decisões e se ele faria o mesmo com os turcos naquela época. É genial.

O mais impressionante nesta bela obra do jornalismo investigativo é que ninguém descobre a verdade por trás de Ali Sinirlioglu. Günter “interpretou” muito bem o operário turco e seu disfarce não foi desmascarado. Fato determinante para isso foi o seu jeito de falar o alemão, eliminando artigos, errando nos verbos, ou seja, falando como um verdadeiro gastarbeiter (trabalhador estrangeiro). “Cabeça de Turco: Uma viagem aos porões da sociedade alemã”, de Günter Wallraff é um livro-reportagem que vale a pena ser lido.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crime e Castigo no Acre


“Chico Mendes: Crime e Castigo”, de Zuenir Ventura, é um livro que propicia uma leitura muito interessante. Por meio desse livro Zuenir nos conta a história do assassinato de Chico Mendes, líder sindical e ambientalista, ocorrido no Acre em 22 de dezembro de 1988, mais especificamente na cidade de Xapuri.

Como na maioria dos casos de livros-reportagem, esse também foi primeiramente apenas uma seqüência de reportagens que, depois de juntas, vieram a compor um livro. Para explicar melhor ao leitor a história de Chico Mendes, o autor preferiu dividi-lo em três partes, são elas: o Crime (parte 1), o Castigo (parte 2) e Quinze anos depois (parte três). Em seu livro, Zuenir Ventura revela a luta travada pelos seringueiros no Acre.

Zuenir Ventura vai ao Acre em 1989 para conferir como exatamente aconteceu o crime, para então nos contar a primeira parte do livro: o Crime. O autor viaja para Xapuri dois meses após o assassinato de Chico Mendes. Equipado com o instinto que cada repórter possui, Zuenir Ventura “sujou seus sapatos”, como sugeriu Gay Talese no seu livro “Fama e Anonimato”, investigando cada detalhe e entrevistando todas as pessoas que poderiam ter uma relação com crime.

Chico Mendes sabia que seria morto cedo ou tarde, que era uma questão de tempo. Ele foi morto por uma causa, pela diferença entre “classes”: os seringueiros e sindicalistas contra os fazendeiros. Darly Alves da Silva, um fazendeiro, foi impedido de derrubar as árvores de um seringal que ficava nas suas terras por um empate realizado por Chico Mendes e seus companheiros. Foi aí que começou a implicância entre os dois.

Darci Alves Pereira, filho de Darly, assassinou Chico Mendes com um tiro ensurdecedor. Para Ilzamar, esposa de Chico, “foi um estouro, um tiro tão violento que estremeceu a casa”. O dano estava feito e não restava mais nada a fazer naquele momento. Mas com a morte de Chico surge um sentimento nos seringueiros: o de fazer justiça e lutar pelos seus direitos.

Na segunda parte, o Castigo, Zuenir Ventura voltou ao Acre em 1990 para acompanhar o julgamento dos suspeitos do assassinato de Chico Mendes.
Uma peça fundamental dessa parte do livro é o jovem Genésio Ferreira da Silva. Um garoto que vivia na fazenda de Darly e que sabia do que acontecia na Fazenda Paraná.

Zuenir Ventura acompanha os depoimentos dos acusados do crime, pai e filho. Darly foi acusado como sendo o mandante do assassinato e Darci como o que deu o tiro e tirou a vida de Chico Mendes.
Porém, há diferentes versões do crime. Quando Darci se entregou, logo após ter cometido o assassinato, contara uma versão às autoridades, mas no depoimento realizado para o julgamento contou uma história completamente diferente da primeira.

Tanto o pai quanto o filho foram condenados a 19 anos de prisão pelo crime contra a vida de Chico Mendes.
O seringueiro acabou se tornando um mártir. E seus “seguidores” continuaram lutando e, creio que com mais intensidade, após sua morte.

A terceira parte acontece um tempo depois. Quinze anos depois do crime, para ser mais exato.
Em 2003, Zuenir volta novamente ao Acre para verificar o que mudou por lá após o julgamento. “O Acre avançou. Os interesses conflitantes hoje são resolvidos com diálogo, não mais à bala”, declara Ilzamar. Pelo visto muita coisa mudou.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Hiroshima que poucos viram

John Hersey nasceu na China em 1914 e mudou-se para os Estados Unidos em 1925. Ele estava escrevendo uma grande reportagem para a revista The New Yorker, uma reportagem que mostraria a todos o horror e o caos causados pela bomba nuclear jogada na cidade japonesa de Hiroshima. Essa grande matéria teve uma repercussão enorme e acabou sendo publicada também em forma de livro-reportagem, um livro excelente, por sinal.

Hersey localizou seis sobreviventes do bombardeio, quatro homens e duas mulheres: um religioso alemão, Wilhelm Kleinsorge, dois médicos japoneses, Dr. Masakuzo Fujii e Dr. Terufumi Sasaki, o Revenrendo Kiyoshi Tanimoto, Srta. Toshiko Sasaki e Sra. Hatsuyo Nakamura. Depois disso, Hersey induziu-os a contar tudo o que viram, sentiram, fizeram, pensaram e sofreram. Ele entrelaçou os seis depoimentos dos sobreviventes, que se cruzaram com freqüência ao longo do livro. Ao fazer isso, o autor conseguiu proporcionar maior grau de realismo ao livro, à matéria e, ao mesmo tempo, não chegou a ser sensacionalista.

Os capítulos de “Hiroshima” são dispostos de acordo com a ordem dos acontecimentos. Ou seja, um capítulo para descrever a rotina anterior à explosão da bomba (Um clarão silencioso), um capítulo para descrever a confusão imediata decorrente da explosão (O fogo), um capítulo mostrando como tudo aconteceu após os japoneses terem descoberto o que de fato havia ocorrido e suas reações (Investigam-se os detalhes), um capítulo para mostrar como ficou a cidade após a catástrofe e o início da reconstrução (Flores sobre ruínas) e um capítulo mostrando o que aconteceu depois de passados 40 anos, a trajetória das pessoas (Depois da catástrofe).

Contextualiza o relato dos seis sobreviventes num quadro maior, mostra a todos o verdadeiro impacto da bomba em Hiroshima e conscientiza as pessoas da tragédia ocorrida. John Hersey torna mais evidente o sofrimento dos japoneses e o número de mortes. Hiroshima tem forte caráter jornalístico, resultado de muita apuração, o livro-reportagem apresenta muitos dados reais.

O fato de Hersey não ter procurado nenhuma autoridade, seja ela americana ou japonesa, é porque não são fontes muito confiáveis. Isso porque as autoridades norte-americanas procurariam amenizar ao máximo a intensidade da bomba, eles não iriam dizer a pura verdade, mas sim tentariam escondê-la; enquanto as autoridades japonesas não queriam se envolver intensamente com o ocorrido, deixando assim certa lacuna. As autoridades queriam ser o mais cautelosas possível. Isso torna o livro mais “humano”, com o “povo” contando o que aconteceu. O horror aparece individualizado, com rosto. Com isso o livro passa a ser mais literário, mas não deixando de ser jornalístico.

O livro tem forte apelo emocional, mostra o sentimento das pessoas em relação à tragédia que aconteceu. Fica presente o ódio aos americanos sentido pelos japoneses, fica a marca do horror. Já no seu desfecho, no capítulo 5, que foi feito depois de 40 anos da explosão, tem um caráter mais noticioso, é dotado de muitas informações, o que é resultado de uma boa apuração jornalística. Mas é claro que o desfecho do capítulo 5 não deixa de ser emocional, não esconde os sentimentos das pessoas. Mostra também a vida das pessoas e a cidade de Hiroshima reconstruídas. E, hoje, são criadas bombas cada vez mais poderosas, o que nos faz crer que o mundo não aprendeu nada com o que aconteceu em Hiroshima. Os dados sobre armamentos nucleares e a corrida armamentista revelam a posição anti-nuclear de Hersey.

Os fatos de Hiroshima são narrados de acordo com a ordem dos acontecimentos, dentro de cada capítulo, mostrando o que cada um dos seus personagens estava fazendo antes da explosão, durante a explosão e depois dela.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mais um dia na Avenida Paulista



Hoje estou atrasado. Preciso de um relógio. Vou passar na Avenida Paulista, com certeza vou achar aquele modelo que estava procurando e, melhor ainda, por um preço bem mais em conta do que pagaria em outro lugar. Sim, na Avenida Paulista. No calçadão da Paulista. Pronto, agora já estou com a hora certa.

Putz! Sujei os sapatos na rua. E agora?! Não precisei me preocupar, logo vi ali perto do ponto de ônibus: “Engraxo seu sapato e deixo como se fosse novo, tudo por apenas quatro reais, doutor”. Mas que beleza, com o sapato brilhando eu já vou andando.

Olho no relógio e já é meio-dia. Acabei de escutar meu estômago roncar. Viro para um lado, viro para o outro. Preciso comer alguma coisa. Logo ali na esquina, um carrinho de milho. Do outro lado da avenida está um oriental com seu carrinho de yakisoba. E não é que estava gostoso?! Agora preciso adoçar a boca. Atravesso de novo a avenida, ando mais uma quadra e o que vejo: ”Gostosa, Quentinha, Tapioca”, como diria Chico Buarque. Estava uma delícia, custou só R$1,50.

Com a barriga cheia, quero descansar um pouquinho. Quando sento e olho para a frente, vejo um ótimo presente para meu sobrinho: ele realmente gosta desse carrinho. Ainda estou sentado quando passa um rapaz: “Olha a bala, chiclete, chocolate”. Uma boa idéia, já que não posso escovar meus dentes masco um chicletinho.

E o dia vai passando. Quanta coisa já vi hoje na mais paulista das avenidas! Mas e minha namorada?! Preciso comprar algo para ela. Mais alguns quarteirões e avisto um senhor em pé ao lado de uma mesinha. Chego mais perto e consigo perceber que há vários brincos e anéis em cima da mesinha. Destes ela realmente vai gostar.

Agora que reparei que já é sexta-feira: o que vou fazer no final de semana? Mal termino de pensar e me deparo com um garoto que diz: “Algum programa para o sábado e o domingo? Que tal um DVD para assistir com a família? É mais barato que o cinema, só cinco reais”. Uma bela escolha. Comprei um DVD de um filme que entrou em cartaz nesta semana.

Sinto um cheiro adocicado. Encostado na parede está um hippie vendendo seus incensos. Será que vai atacar minha rinite? Espero que não. Logo em frente vejo um aglomerado de gente. Minha curiosidade era grande, me aproximo e reconheço um homem-estátua, ou uma estátua viva. Mas que engraçado, hoje ele era um mago! Vou para junto do trabalhador e deixo um trocado.

Mas que dia gostoso. Porém, olho para o céu e vejo um relâmpago, logo em seguida escuto o trovão. Era só o que faltava para estragar meu dia: tomar uma chuva. Por que fui pensar nisso?! A chuva começou a cair na terra da garoa. Apertei o passo para chegar mais rápido em casa. Não adiantou, pois a chuva só aumentou. Quando comecei a me molhar, vi um rapaz vendendo guarda-chuvas na saída da estação do metrô: “O pequeno é cinco, o grande é dez, compre antes que fique encharcado!”. Comprei o pequeno mesmo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O show deve continuar?!

Desde consagrados atores de novelas com alto índice de audiência até aquele jovem com piercings e tatuagens da última edição de um reality show. Mulheres frutas, jogadores de futebol, aspirantes a cantores. Enfim, as novas celebridades. Mas o que é celebridade? Segundo o dicionário Michaelis, celebridade, que vem do latim celebritate, é a qualidade daquele que é célebre, uma pessoa de grande fama, uma pessoa célebre, notória.

Hoje é o que não falta por aí, pessoas famosas. Ficou cada vez mais fácil ser uma “tal celebridade”, algumas mulheres apelam para o corpo para ficarem conhecidas, célebres. Melancia, maçã, morango, melão e jaca. Frutas? Também! Algumas garotas adotaram essas frutas como seus nomes artísticos e abusaram da exposição do corpo para ficarem conhecidas como mulheres frutas, para a alegria dos marmanjos.

Até que ponto essa exposição é válida? Tomando as mulheres frutas como exemplo, que mostram seus corpinhos pelo Brasil a fora em revistas e sites. O mundo das celebridades, por mais que você queira se afastar ao máximo dele, vai ser jogado diretamente em você e também será assimilado. Babado, EGO e O Fuxico são os principais portais de “notícias” sobre o assunto, sobre as celebridades. Muitas vezes apelam na informação visual, colocando bumbuns, peitos e afins em suas chamadas para atrair mais audiência e continuar fazendo dinheiro.

A mídia hoje depende muito dessas celebridades. Seja a revista, o jornal ou a internet. A fofoca diária sobre a vida de famosos vira espetáculo. Saber o que determinada pessoa está fazendo, o voyerismo passa a fazer parte do cotidiano das pessoas. Os famosos reality shows, os BBBs, Ídolos e por aí afora, ilustram essa idéia do voyeur. Esses programas que tentam simular a realidade de maneira grosseira são fábricas de celebridades. Mas por quê? Não é possível entender a causa de aquelas pessoas virarem celebridades.

A verdade é que atualmente as celebridades surgem sem o mínimo esforço e caem nas graças do povo. O que faz com que ocorra certa banalização sobre as celebridades e o mundo em que elas vivem, que não deixa de ser um mundo paralelo, uma realidade muitas vezes falsa e superficial.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Der Prozess. KAFKA, Franz

Uma obra sufocante e deveras perturbadora com um protagonista ligeiramente tarado, se assim podemos dizer sobre "O Processo", de Franz Kafka. O episódio do sétimo capítulo do livro nos mostra Joseph K. obcecado por seu processo e ainda duvida (ou questiona) a eficiência do seu advogado.
Neste contexto podemos analisar o conceito defendido por Luiz Costa Lima: o problema da indeterminação da lei e da condição hipotética de justiça, a derrocada do Estado de direito. Podemos observar a insatisfação de K. em relação a isso e ao advogado. Ao mesmo tempo que o advogado que está cuidando do seu processo é muito experiente, com o acúmulo de processos em que atuara, mostra-se indeterminado, não explica as coisas para K., o deixa aflito e faz com que suas esperanças comecem a se esvair.

A lei é desorganizada em "O Processo", não tem substância, e K. nota esses aspectos do tribunal: "Certamente K. já concluiu, a partir das suas próprias experiências, que o nível inferior da organização do tribunal não é perfeito, tem funcionários relapsos e subornáveis, motivo pelo qual a severa vedação do tribunal de certo modo apresenta falhas (...) é por aqui que entra a maioria dos advogados, aqui se suborna e se espiona..."

K. fica impaciente e irritado com a maneira pela qual o advogado trata seu processo. As visitas na casa do advogado, para ele, não eram proveitosas e nem avançavam o status de seu processo perante o tribunal. O advogado o atende deitado na cama, em um quarto escuro e sufocante, tomando sopa, sempre doente. Para K., o discurso do advogado era desesperador, ele sabia que sua defesa não estava em boas mãos.

Por mais que K. tentasse resolver o processo a sua maneira, ele não conseguia obter êxito ou escapar da enrascada. Joseph K. fora abocanhado por seu processo, ele não é mais capaz de ignorá-lo, desprezá-lo, como no começo, mas sim sentir vergonha de tudo isso, vergonha e frustração.

K. não sabe conviver com os outros personagens do livro, é muito soberbo e orgulhoso. As frases curtas utilizadas pelo narrador em "O Processo", curtas e simples, são objetivas, o que nos remete à linguagem "cartorial", "protocolar". O narrador tem uma forma única de anunciar os acontecimentos, uma maneira banal. As frases curtas possuem informações e dados da percepção, mas vão se alongando em reflexões, trazendo dúvidas e desconfiança, tanto para quem lê, quanto para Joseph K.

Por meio da linguagem utilizada por Kafka, vemos as imagens por trás das letras, e, novamente, é perturbador, sufocante, desesperador, escuro, mas não chega a ser macabro, a dar medo. Este presente sufocante devora K., por mais que ele tente, não haverá futuro, a lei o engana, não esta a seu favor.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Só a fonoaudiologia salva

Alexandre sempre foi um garoto muito comunicativo, ou tagarela, como quiser. Gostava de conversar com todos e se interessava por gibis, revistas e até mesmo livros, apesar de não conseguir entender "patavinas" do que estava de fato escrito neles.

Porém, a "língua presa" acabava fazendo com que houvesse certo ruído na comunicação com as outras pessoas e também no início do aprendizado da língua portuguesa, mais especificamente a leitura. O "s" de sapo e o "c" de cebola, em sua fala, eram sempre sibilados, "asssobiados", "sssilvados". Por quê?

Para explicar, é preciso contar um pouco da vida do garoto, desde seu nascimento, um tanto quanto apressado. Sua estadia na barriga da mãe durou apenas sete meses. Nasceu e ficou internado no hospital por mais 21 dias, pois sofria de bronquiolite, inflamação dos bronquíolos. Quando cresceu, a tal inflamação se transformou em uma bronquite, acompanhada de uma má formação dos septos nasais. Qual o resultado? Narinas obstruídas, ocasionando respiração exclusivamente oral e a falha no posicionamento da língua dentro da boca. Trocando em miúdos: problemas de dicção e respiração.

Nem tudo estava perdido. Os pais de Alexandre logo notaram a forma pela qual se expressava seu filho e a dificuldade apresentada para respirar pelas vias nasais. Eis que entrou em cena a doutora Constantina, a otorrinolaringologista consultada. O problema do desvio de septo foi corrigido, mas a dicção com sua língua presa continuava firme e forte em sua vida.

A superação chegou com a constante frequência no consultório da doutora Luciane, fonoaudióloga. Exercícios de respiração, movimentos para o fortalecimento da língua e afins. Um sucesso! A cirurgia recomendada para "cortar o freio" da língua não foi necessária. A fonoaudiologia salvou Alexandre.

E a língua, que não era mais presa, graças à fonoaudiologia, não o deixou na mão. Alexandre foi o primeiro aluno de sua turma a aprender a ler, no "prezinho" (pré-II), aos seis anos de idade. E desde então o "ex-língua presa" não parou mais de ler, para si próprio e para os outros.

Hoje Alexandre é um jornalista e não tem problemas com a dicção. Sabe se expressar muito bem e aprendeu bastante com sua fonoaudióloga, a querida Luciane. Ah, uma coisa não mudou: ele continua muito comunicativo, ou tagarela.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"The Negotiator"

Um filme policial envolvente e de muita ação. "The Negotiator", traduzido porcamente para o português como "A Negociação", em vez de "O Negociador", foi lançado em 1998, há 13 anos, mas continua agrandando os adeptos dos filmes policiais.
O protagonista é Danny Roman, um negociador da polícia de Chicago especialista em sequestros, interpretado por Samuel L. Jackson. A ação começa quando Roman é incriminado por uma armação policial, envolvendo o roubo do fundo de pensão e também o assassinato de seu parceiro.

A partir daí, Roman decide trocar de papel e passa a ser o sequestrador, tomando o Chefe da divisão de Assuntos Internos da polícia de Chicago como seu refém. Neste momento a tensão cresce e o filme fica cada vez melhor. Para lidar com esse "sequestro", Roman avisa que apenas conversará com outro negociador especialista em sequestros, o nome dele é Chris Sabian, interpretado por Kevin Spacey.

O resto você vai ter que descobrir assistindo ao filme. Confira, pois vale a pena!


Direção: F. Gary Gray
Título original: The Negotiator
Elenco: Samuel L. Jackson, Kevin Spacey, David Morse, John Spencer, Paul Giamatti
Duração: 139 min
EUA, 1998

Foto: Reprodução